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Brasília, 12 de dezembro de 2019 - 03:58
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Quarta-feira, 17 de abril de 2002

Entrega da "medalha-prêmio" ao ministro Néri da Silveira - Ministro Marco Aurélio

Discurso proferido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Marco Aurélio, na solenidade de entrega da “Medalha-Prêmio” ao ministro José Néri da Silveira, em reconhecimento aos 50 anos de serviço público.

 

                       Meu caro amigo ministro Néri da Silveira,

                       No imaginário popular, a figura do herói sempre se mostrou associada a feitos extraordinários, a batalhas em princípio invencíveis, as quais, todavia, ao fim, não se sustentariam diante do  comando  desse mítico ser  dotado  de poderes especiais. Talvez por isso a humanidade freqüentemente busque líderes onipotentes cujas soluções, mágicas, tenham o condão de superar, num instante, problemas por vezes seculares. Entretanto, um olhar mais atento, uma reflexão mais cautelosa conduzirá, com certeza, a conclusão diversa. O grande homem, sem dúvida alguma, é aquele que, no dia-a-dia, cioso dos próprios deveres, consegue, com simplicidade, mas com a galhardia da honradez, vencer os percalços que a existência cotidiana incessantemente lhe oferece. Ao contrário do que sói apregoar-se, uma nação digna e respeitável se forma de grandes homens, e não de falsos heróis.

                        Vossa Excelência, ministro Néri da Silveira, é daqueles grandes homens que elevam o nome de um País. Não fosse Vossa Excelência o magistrado ímpar que se firmou como legenda na história do Judiciário nacional, seria uma referência em qualquer ofício que abraçasse. A marca indelével da competência, da lisura e do equilíbrio haveria necessariamente de distinguir-lhe a obra, tal a magnitude do mestre. Em bem-aventurado momento, bons ventos o trouxeram para a seara do Direito, e felizardos são os jurisdicionados que privam da prerrogativa de tê-lo como insigne julgador, usufruindo, assim, de sua experiência e sobriedade, de sua lucidez e retidão, enfim, de sua incomum sabedoria. Privilegiados somos nós, seus companheiros na missão de julgar, que podemos muito aprender, colhendo diariamente o proveito de convivência sobremaneira afável, leal e amiga. Afortunada é a sua admirável união com a Dra. Ilse Maria Dresch da Silveira, cujos frutos desde o início souberam espelhar-se num modelo insuperável de bondade, ética e disciplina.     

                        Não apenas à Justiça, que todas as loas haverá de prestar-lhe,  coube beneficiar-se com o galardão de seu incansável mister. O País, sobretudo, favoreceu-se imensamente com tão profícua e notável atuação. Cinqüenta anos de bons serviços dedicados ao público deveriam ser homenageados não somente com uma medalha de ouro, mas com um busto deste nobre metal, de modo a que os brasileiros pudessem demonstrar-lhe a gratidão, com a reverência de direito, por toda uma existência consagrada, sem reserva alguma e com a máxima devoção, à causa pública. Um País que tem exemplos de verdadeira cidadania, como o oferecido discreta e diuturnamente por Vossa Excelência, prescinde de heróis imaginários, porque conta, isto sim, com os autênticos ícones de virtude necessários à arquitetura sólida de uma grande nação.

                        Sinta-se ungido, ministro José Néri da Silveira, tal o irrestrito aplauso que ora se afigura simbolizado nesta comenda. Seja, sempre e sempre, muito feliz.



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