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Brasília, 10 de dezembro de 2019 - 22:44
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Quinta-feira, 16 de maio de 2002

Discurso do presidente da Afrobras durante a entrega da Medalha do Mérito Cívico Afro-brasileiro

Senhoras, Senhores,

Essa noite, que é mágica e única, podemos designar como a noite da vitória.

Vitória dos que perseveraram na crença da capacidade de superação da sociedade e dos indivíduos.

Vitória da grande maioria de brasileiras e brasileiras, que, sem tergiversar um minuto sequer, envidaram todos seus esforços para que os brasis, definitivamente se reencontrassem de forma amiga e fraterna.

O maior legado de um povo é o grau de sua generosidade.

E é infinitamente generoso um país, cujo presidente da Corte Suprema de Justiça, disponha-se, de forma gentil e amistosa, a sentar a mesa com essa parcela valorosa do povo brasileiro, na noite de reflexão da data mais emblemática da nação. Da liberdade que não veio.

Vossa Excelência que teve a coragem e grandeza de espírito de fazer acordar a nação para a injusta, ilegítima, imoral e ilegal segregação do negro brasileiro, e, com sensibilidade dos justos de espírito, de estadista, fez editar medida de garantia, não de privilégio, mas de isonomia, que assegura a participação do afrobrasileiro nos quadros da Suprema Corte, Vossa Excelência refundou a República.

Refundou a República ao antecipar que a história não coadunará com a omissão que castre ao afrobrasileiro o sentido de esperança e a possibilidade de felicidade.

Refundou a República ao definir, objetivamente, que os espaços, os bens, os equipamentos, os benefícios e as oportunidades devem ser de uso, gozo e fruição de todos os brasileiros.

Refundou a República e fez inscrever com fogo, nos anais da história, o maior e mais significativo acontecimento da trajetória do negro brasileiro de todos os tempos, ao identificar que o papel vocacionado de nosso país, no concerto das nações, será, para sempre, inatingível. Se insistirmos em nos mantermos numa nação cindida, excluindo, da produção e vida sociais, os talentos e a criatividade de metade da nossa gente.

O gesto de Vossa Excelência ressoa de norte a sul do país produzindo enxurradas de projetos de lei, medidas administrativas e ações objetivas de inserção do afrobrasileiro.

É de se ter esperança e é de se amar a liberdade num país, cujo dirigente maior da justiça, solidariza-se e empresta o seu tempo e o melhor de sua energia à causa dos aflitos de justiça.

É de se ter esperança e de se estar em regozijo quando tantos amigos dos afrobrasileiros e amantes da cidadania emprestam seu brilho e o prestígio de suas presenças a esses bens que nos são tão caro: liberdade e justiça.

Em nome dos conselheiros da AFROBRAS, em nome dos afrobrasileiros desta nação e dos que nos visitam, rendo a Vossa Excelência nossas mais lídimas homenagens de respeito, agradecimentos, admiração e estimas, pedindo, humildemente, a Oxalá que conceda a Vossa Excelência saúde e vida longa, para que tantos outros, aflitos de justiça, possam ser merecedores da graça de vossa sensibilidade.

Assim e por esse motivo, na pessoa de Vossa Excelência, saúdo todas as autoridades e personalidades da mesa diretora, saúdo todas as autoridades, personalidades presentes no recinto, que é extensão dessa mesa, assim como saúdo nossos patrocinadores, apoiadores e parceiros.

Saúdo em especial nosso ministro de Estado de Educação, professor Paulo Renato Sousa, que produz e produziu revolução sem precedentes na educação do nosso país, que doa seu precioso tempo à causa da comunidade negra; que, de forma extenuante, trabalha para dar uma resposta adequada aos mecanismos de inserção do afrobrasileiro no ensino superior e que, prazerosamente, nos surpreende fazendo tomar assento, no Conselho Federal de Educação, uma educadora negra e uma educadora indígena, como expressão sincera da esperança que advogamos do Brasil plural e solidário.

Saúdo o Excelentíssimo Senhor Prefeito do Município de Jundiaí, que, da mesma maneira, ouvindo a voz rouca das ruas, soube, de forma magnífica, captar o sentido de justiça da demanda comunitária e, antecipando-se a todos, dotou Jundiaí da primeira lei objetiva e em execução do país, que assegura a participação vertical dos afrobrasileiros nos postos e cargos da administração direta e indireta, determina que, nas licitações, contará, como plus, ações afirmativas empresariais e que toda publicidade estatal deverá, obrigatoriamente, contar com a presença de afrobrasileiros.

Senhor prefeito, o povo jundiaiense saberá reconhecer e responder a altura o valor desse elevado gesto.

A Vossas Excelências, da mesma maneira, nossas homenagens de respeito, amizade e estima. O Brasil, para o bem geral da nação, precisa urgentemente de mais dirigentes com a vocação e a capacidade de Vossas Excelências.

Senhoras e Senhores, sem educação não há liberdade.

Muito obrigado.

 



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