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Brasília, 12 de dezembro de 2019 - 11:22
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Segunda-feira, 23 de dezembro de 2002

Mensagem de Confraternização Natalina - Ministro Marco Aurélio

Discurso do Excelentíssimo Senhor Presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Marco Aurélio, por ocasião da Festa de Confraternização Natalina dos servidores e colaboradores da Corte.

 

Brasília, 17 de dezembro de 2002.

 

 

                                                Confraternização de Natal    2002

 

                        Conta-se que, certa vez, dois irmãos, que moravam em fazendas vizinhas, separadas apenas por um riacho, desentenderam-se  seriamente. Haviam trabalhado juntos a vida toda e eram muito amigos, mas a briga, que começara com um pequeno mal-entendido, acabou por tomar proporções exageradas, resultando em troca de insultos e palavras ríspidas, seguindo-se ao episódio total silêncio. Um dia, o irmão mais velho recebeu a visita de um carpinteiro que procurava trabalho e teve então a idéia de erguer uma cerca de madeira bem alta, de modo a separar definitivamente as duas propriedades. Ordenou a tarefa ao carpinteiro, não sem antes explicar o que acontecera, frisando que, depois da desavença, não conseguia mais suportar o irmão desafeto.

                        O artesão pegou sua caixa de ferramentas e, em vez de cerca, ergueu uma bela ponte ligando as duas margens do riacho. Ao defrontar com aquela verdadeira obra de arte, o patrão enfureceu-se e disse do atrevimento do operário em contrariar a ordem inicial, mesmo depois de tudo que  lhe fora contado. Ainda esbravejava quando percebeu que, ao longe, o irmão se aproximava, emocionado e de braços abertos. Relutante, resolveu ir ter com ele e, ao se encontrarem, no meio da ponte, um longo abraço substituiu aquelas palavras ferinas, dando lugar ao genuíno amor que os unia. O carpinteiro, ao ver seu trabalho concluído, pegou a caixa de ferramentas e partiu. Ouviu, então, um dos irmãos gritar: “Espere, fique conosco!”, ao que respondeu: - “Eu adoraria, mas tenho outras pontes para construir!”.

                        Essa história pareceu-me apropriada a profundas reflexões, mormente em tempos como os de agora, em que,  ao findar de mais um ciclo,  costumamos proceder ao balanço do que fizemos no ano que se despede, no mesmo instante em que fixamos metas, redefinindo propósitos para o que se avizinha. Sensibilizam-me certas metáforas empregadas na parábola, como a caixa de ferramentas e a construção  da ponte, ao invés de muros. Cabe-nos meditar sobre as ocasiões em que atuamos para unir, em vez de separar. Cumpre interrogarmo-nos acerca das ferramentas que temos usado para pavimentar o nosso dia-a-dia.  Se a maioria de nós utilizou a chave da bondade e do perdão, os instrumentos da compaixão e da tolerância, então estou certo de que caminhamos com segurança para dias melhores, em que o “amor ao próximo” deixará de ser um jargão surrado para se concretizar em ações efetivas voltadas ao bem-estar dos menos favorecidos, a exemplo do que vem acontecendo nesta Casa, cada vez mais envolvida com movimentos sociais, haja vista a distribuição de cestas básicas e o esforço dos servidores na alfabetização dos terceirizados. Apesar de envergarmos o título de País mais solidário do mundo, ainda é vagaroso o movimento em prol da igualdade e da justiça social, mas, passo por passo, haveremos de alcançar o acalentado sonho de nação desenvolvida e feliz.

             Jesus Cristo, cujo nascimento celebramos a cada Natal, foi o maior construtor de pontes entre os homens e valeu-se de todos os meios possíveis para nos convencer a amarmo-nos uns aos outros. Mais de dois mil anos depois, um novo tempo de esperança se descortina, de maneira especial para nós, brasileiros. Oxalá  saibamos aproveitar, individual e coletivamente, as oportunidades que se nos apresentam para construirmos, com as ferramentas do desprendimento e da compreensão, como Ele, as pontes necessárias para a verdadeira felicidade, aquela que irmana a todos e expunge, vez por todas, o terrível mal da indiferença em relação à dor alheia.

                        Desejo-lhes um natal pleno de paz e harmonia. Que 2003 tenha o traço da solidariedade, de modo a sermos todos plenamente felizes.



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