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Quinta-feira, 20 de setembro de 2012

"É possível extrair fibras de amianto em condições seguras", diz presidente de entidade de trabalhadores

O último expositor da audiência pública realizada no Supremo Tribunal Federal (STF) foi Adilson Conceição Santana, presidente da Federação Internacional dos Trabalhadores do Amianto Crisotila (FITAC), vice-presidente da Comissão Nacional dos Trabalhadores do Amianto (CNTA) e diretor secretário do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Extração de Minerais Não-Metálicos de Minaçu (GO). “É perfeitamente possível extrair e transformar as fibras de amianto crisotila em produto acabado em condições seguras para trabalhadores e população em geral”, salientou.

Com mais de 26 anos de trabalho no segmento, ele falou em nome dos trabalhadores e afirmou que estes podem ser prejudicados se o amianto for substituído ou proibido. Adilson mostrou um vídeo expondo a realidade do uso do amianto no passado e no presente, asseverando que muitas das exposições feitas anteriormente não correspondem à realidade atual do Brasil. Segundo ele, atualmente, há umidificação das minas, as operações são monitoradas por vídeo, o processo é enclausurado (sem poeira) e o ensacamento automatizado. “Hoje, o trabalhador não põe a mão em fibra de amianto, tanto nas fábricas quanto nas minas”.
Adilson Santana disse que as ADIs contra a proibição do amianto nos estados foram ajuizadas pela Confederação Nacional dos Trabalhadores da Indústria (CNTI) a pedido dos trabalhadores do amianto crisotila, “legítimos representantes da categoria, composta por 15 fábricas de fibrocimento e mais a mineração". Ele afirma que a defesa do amianto é apoiada pela maioria das centrais sindicais e por mais de 70 entidades nacionais. “O uso seguro e responsável do amianto crisotila no Brasil é uma realidade e uma conquista dos trabalhadores, graças às comissões de fábrica que fiscalizam o processo para garantir que as regras de segurança sejam cumpridas", disse.
O presidente da FITAC ressaltou o acordo assinado há mais de 23 anos para garantir a saúde e a segurança dos trabalhadores do Brasil, “diferente de outros países”, e que nele são contempladas mais de 60 cláusulas, como o limite de exposição, “que é 20 vezes menor" que o previsto em lei. “Agora que conseguimos organizar nossos locais de trabalho, garantindo um ambiente seguro, querem jogar todas as nossas conquistas no lixo e substituir a crisotila por produtos sintéticos que as multinacionais estão impingindo”.
Adilson Santana reconhece que os problemas do passado não podem ser desprezados, e afirma que esse passivo é de responsabilidade dos patrões que expuseram os trabalhadores aos riscos elevados da época. Mas afirma que a realidade hoje é outra, e que as pesquisas mostram que as doenças são coisas do passado. "Nós, trabalhadores, não somos suicidas. Não podemos dar a vida para ganhar a vida, não somos irresponsáveis", concluiu.



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