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Brasília, 17 de dezembro de 2018 - 12:08
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Henrique Pereira de Lucena (Barão de Lucena)

           HENRIQUE PEREIRA DE LUCENA, filho do Coronel Henrique Pereira de Lucena e D. Ana Barbosa da Silva, nasceu em 27 de maio de 1835, no engenho Boa Esperança, então da comarca do Limoeiro, província de Pernambuco.

           Vindo para o Rio de Janeiro, matriculou-se, em 1847, no Colégio Pedro II, onde recebeu o grau de Bacharel em Letras, no dia 27 de outubro de 1853.

           Regressando à sua província natal, fez o curso de Direito na Faculdade do Recife, recebendo, em 1858, o grau de Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais.

           Iniciou a vida pública com a nomeação de Delegado de Polícia da capital de Pernambuco, cargo que bem desempenhou, sendo então lembrado para ir à comarca de Ouricuri, no interior da província, em missão especial de pacificá-la, visto se achar amotinada, conseguindo o fim desejado.

           Em decreto de 4 de dezembro de 1861, foi nomeado Juiz Municipal e de Órfãos do termo de Goiana, cargo a que foi reconduzido em decreto de 25 de janeiro de 1866 e do qual foi exonerado, a pedido, em 1868.

           Em decreto de 8 de maio de 1869, foi nomeado Juiz de Direito da comarca de Teixeira, na província da Paraíba.

           Em decreto de 18 de setembro de 1872, foi designada a comarca de Palmares para que tivesse exercício do seu cargo, havendo sido removido para Jaboatão, em decreto de 19 de maio de 1874, e para a Vara Cível de São Luís do Maranhão, em decreto de 25 de abril de 1885.

           Foi designada, em decreto de 13 de janeiro de 1890, a Vara dos Feitos da Fazenda Nacional da Capital Federal para ter exercício de seu cargo.

           Com a organização do Supremo Tribunal Federal, foi nomeado Ministro deste tribunal, em decreto de 12 de novembro de 1890; tomou posse em 28 de fevereiro do ano seguinte, sendo aposentado em decreto de 25 de janeiro de 1892.

           Em decreto de 29 de maio de 1869, foi nomeado Chefe de Polícia da província do Ceará, onde prestou notáveis e relevantes serviços à ordem pública.

           Foi Deputado à Assembléia Provincial e à Assembléia-Geral Legislativa pela província de Pernambuco, na 20ª legislatura (1885-1889), havendo sido eleito Presidente da Câmara no biênio 1888-1889.

           O Governo imperial aproveitou os serviços de Henrique Pereira de Lucena na alta administração de quatro províncias: Rio Grande do Norte — nomeado Presidente, em carta de 31 de maio de 1872, tomou posse a 1º de julho e foi exonerado em novembro desse ano; Pernambuco — nomeado em 23 de novembro de 1872, tomou posse em 25 de novembro do mesmo ano, sendo exonerado em decreto de 3 de abril de 1875; Bahia — nomeado em 13 de dezembro de 1876, tomou posse em 5 de fevereiro de 1877 e foi exonerado em decreto de 19 de janeiro de 1878; Rio Grande do Sul — nomeado em decreto de 12 de setembro de 1885, tomou posse em 28 de outubro seguinte, cargo que deixou em 1886, por ter sido eleito Deputado.

           No período republicano, foi nomeado Governador do Estado de Pernambuco em decreto de 21 de julho de 1890.

           Foi agraciado, por D. Pedro II, com o grau de cavaleiro da Ordem da Rosa, em decreto de 14 de março de 1860, e o oficialato dessa Ordem, em decreto de 12 de novembro, também de 1860; o hábito da Ordem de Cristo, em decreto de 14 de setembro de 1866; e as honras de Desembargador, em decreto de 20 de fevereiro de 1875, e pela Princesa Isabel, Regente do Império, com o título de Barão de Lucena, em decreto de 16 de maio de 1888.

           Era também condecorado com a Legião de Honra, da França.

           No governo do Marechal Deodoro da Fonseca, foi Ministro de Estado em três pastas; interinamente, da Agricultura, de 25 de fevereiro a 4 de julho, da Justiça, de 25 de fevereiro a 2 de maio, e, efetivamente, da Fazenda, de 4 de julho a 23 de novembro, todas em 1891.

           Era casado com D. Zilia Sofia Carneiro Campelo, filha de José Carneiro Campelo e D. Arcelina Xavier Campelo.

           O Barão de Lucena faleceu no dia 10 de dezembro de 1913, na cidade do Rio de Janeiro, sendo sepultado no Cemitério de São João Batista.

           Sebastião de Vasconcelos Galvão, no Dicionário Corográfico, Histórico e Estatístico de Pernambuco, tratando do Barão de Lucena, diz:

           “Ele foi uma individualidade eminente no cenário político da pátria, prestando-lhe assinalados serviços. Sua figura avultou no Império e na República com o incontestável relevo de um vulto prestigioso de competência e patriotismo, nas difíceis investiduras que lhe foram confiadas. Brasileiro de inolvidáveis serviços ao país, pertencia com justiça à galeria dos pernambucanos beneméritos. Na vida pública soube imprimir valiosos traços de cultura, de orientação e de valor e atos de maior relevância.

           Representa seu nome uma tradição notável de serviços meritórios que o tornavam digno do respeito, do acatamento e da veneração dos seus concidadãos. Possuía a fibra do homem de Estado, fortaleza de espírito, a segurança de ações, a visão dos destinos políticos e sociais da estremecida pátria. Tinha a envergadura do verdadeiro administrador com a revelação de um superior descortino; e, mais ainda, um extraordinário valor moral.

           Cheio de desinteresse pessoal e inspirado ideal patriótico, seu olhar sempre se volvia sobretudo para o idolatrado Pernambuco, objeto de profundo amor e do seu mais extremoso carinho. Por isso a recordação do venerando nome do Barão de Lucena há de eternizar-se na plaga pernambucana, nos corações que sabem idolatrar esse torrão deveras muito amado por ele e cujo afeto deixou muitas vezes esculpido em monumento ali erigidos. Estes evocarão a cada instante sua memória saudosa e abençoada.

           Foi ainda um homem forte, de rigidez espartana, lutador decidido. Seus nobres predicados e forças somente lhe serviram na conquista da felicidade da pátria, que, ao lado da família, eram os pólos em torno de que gravitava sua frutuosa existência”.

 
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